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Brasil precisa de uma autêntica reforma do Estado - Entrevista com Laudelino Augusto (CNLB)


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O Presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (uma das entidades que compõe a Plataforma pela Reforma do Sistema Político), Laudelino Augosto dos Santos, concedeu uma entrevista ao Jornal Santuário de Aparecida. O tema da entrevista foi Eleições e Reforma Política.
 
Confira.
 
Jornal Santuário – As eleições municipais trazem os temas para mais perto do dia a dia da população. O envolvimento consciente no pleito pode auxiliar na construção de uma democracia que não seja apenas representativa (modelo atual), mas também participativa (nova estrutura)? Quais são as principais diferenças entre esses dois modelos, com suas perdas e ganhos?
 
Laudelino Augusto dos Santos – De fato, as “coisas” acontecem é no município e o momento eleitoral é privilegiado para a conscientização e consequente mudança de mentalidades e estruturas. A participação consciente das pessoas é condição para a conquista da cidadania e consequente efetivação da democracia, que, no desenvolvimento do processo, vai deixando de ser simplesmente representativa e se tornando cada vez mais participativa.
 
Os dois modelos são complementares na medida em que a representatividade for autêntica, ou seja, a pessoa eleita “representa” e não somente “substitui” o povo. Os dois modelos vão coexistir sempre. As perdas acontecem quando os “representantes” sobrepõem interesses pessoais ou de grupos aos interesses da coletividade e os ganhos se dão sempre que a representatividade for autêntica.
 
Fala-se muito em “votar bem”, “usar bem o voto”. Quais seriam os principais pontos a que as pessoas devem atentar para concretizar esse objetivo?
 
Laudelino – O Documento 42 da CNBB afirma que a participação do povo “poderá expressar-se de modo privilegiado no momento das eleições, através do voto consciente e responsável”. Para garantir a qualidade do voto, é preciso conhecer a história dos candidatos(as), o programa que apresentam, a maneira como fazem a propaganda eleitoral, se gastam muito dinheiro, quem os financia, votar com liberdade, sem pressões, lembrando-se que “voto não tem preço, tem consequências”. Toda esta análise deve ser feita em comunidade, nunca isoladamente.
 
O tema da reforma política é volta e meia retomado no espaço público, mas o Parlamento não tem grande interesse em debater o tema. Quais seriam os principais pontos do modelo atual que precisariam de uma reforma?
 
Laudelino – O Documento 91 da CNBB – Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática – vai mais além do que uma simples reforma política e,muito menos apenas eleitoral, como andam fazendo. A V Semana Social Brasileira, em andamento, aprofunda e questiona: “Estado, para que e para quem?”
 
É isso mesmo, é urgente uma reforma profunda, estrutural. A começar da concepção de “poder”, das estruturas tão onerosas e pouco eficientes da “máquina” pública dos chamados Três Poderes e da representatividade, incluindo o processo eleitoral. Exorto os leitores a participarem da Semana Social e contribuirem para uma autêntica reforma do Estado Brasileiro.
 
A atual estrutura de Estado e da própria democracia encontra-se em crise, ou seja, suas estruturas já não conseguem responder aos questionamentos, demandas e ânsias da população. Pode-se dizer que boa parte dessa “culpa” deve-se aos escândalos que recorrentemente assolam o campo político. Como fazer para levar a um reencantamento com a política? De que forma a Doutrina Social da Igreja pode iluminar o agir cristão para se chegar a esse intento?
 
Laudelino – Neste campo, temos que reconhecer que nós cristãos estamos devendo e muito para a nação brasileira. O campo político está apodrecido devido à ausência do “sal, luz e fermento” que nós cristãos devíamos ser. O Documento 50 da CNBB – Ética, Pessoa e Sociedade – constata : ” Se existe, hoje, um descrédito da atividade política e da administração pública em todos os níveis (federal, estadual e municipal), é que há maus políticos. Eles são os maiores responsáveis pelas imoralidades que acabam por desmoralizar a política. Importa, pois, encorajar os políticos bem intencionados para que atuem como fermento de uma “nova prática política” (50, 137).
 
Para que haja um reencantamento com a política, e é o que já está acontecendo em alguns lugares, é preciso trabalhar a concepção de “política”, sua relação a partir do compromisso da fé, sempre em comunidade e na prática cotidiana. A Doutrina Social da Igreja, que “é o ensinamento do Magistério em matéria social e contém princípios, critérios e orientações para a atuação do cristão na tarefa de transformar o mundo segundo o projeto de Deus” (Santo Domingo 158),  nos ensina, prepara e incentiva para, em comunidade, atuarmos concretamente.
 
Quais seriam os principais critérios para que um político cristão possa ter uma atuação fundamentada nos valores evangélicos?
 
Laudelino – Participar de uma Comunidade, ter um grupo de reflexão e ação, aprofundar a Doutrina Social, conhecer e aplicar os Documentos da Igreja, tudo, é claro, a partir da mística e da vivência do Evangelho. Ter um Conselho Político que não só o acompanhe, mas participe das decisões e encaminhamentos é , também, fundamental.
 
Confira a entrevista completa no site do Conselho Nacional do Laicato no Brasil.
 
O Presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (uma das entidades que compõe a Plataforma pela Reforma do Sistema Político), Laudelino Augusto dos Santos, concedeu uma entrevista ao Jornal Santuário de Aparecida. O tema da entrevista foi Eleições e Reforma Política.
 
 
 
Confira.
 
 
 
 
Jornal Santuário – As eleições municipais trazem os temas para mais perto do dia a dia da população. O envolvimento consciente no pleito pode auxiliar na construção de uma democracia que não seja apenas representativa (modelo atual), mas também participativa (nova estrutura)? Quais são as principais diferenças entre esses dois modelos, com suas perdas e ganhos?
 
 
De fato, as “coisas” acontecem é no município e o momento eleitoral é privilegiado para a conscientização e consequente mudança de mentalidades e estruturas. A participação consciente das pessoas é condição para a conquista da cidadania e consequente efetivação da democracia, que, no desenvolvimento do processo, vai deixando de ser simplesmente representativa e se tornando cada vez mais participativa.
 
 
 
Os dois modelos são complementares na medida em que a representatividade for autêntica, ou seja, a pessoa eleita “representa” e não somente “substitui” o povo. Os dois modelos vão coexistir sempre. As perdas acontecem quando os “representantes” sobrepõem interesses pessoais ou de grupos aos interesses da coletividade e os ganhos se dão sempre que a representatividade for autêntica.
 
 
 
 
Fala-se muito em “votar bem”, “usar bem o voto”. Quais seriam os principais pontos a que as pessoas devem atentar para concretizar esse objetivo?
 
 
O Documento 42 da CNBB afirma que a participação do povo “poderá expressar-se de modo privilegiado no momento das eleições, através do voto consciente e responsável”. Para garantir a qualidade do voto, é preciso conhecer a história dos candidatos(as), o programa que apresentam, a maneira como fazem a propaganda eleitoral, se gastam muito dinheiro, quem os financia, votar com liberdade, sem pressões, lembrando-se que “voto não tem preço, tem consequências”. Toda esta análise deve ser feita em comunidade, nunca isoladamente.
 
 
 
 
O tema da reforma política é volta e meia retomado no espaço público, mas o Parlamento não tem grande interesse em debater o tema. Quais seriam os principais pontos do modelo atual que precisariam de uma reforma?
 
 
O Documento 91 da CNBB – Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática – vai mais além do que uma simples reforma política e,muito menos apenas eleitoral, como andam fazendo. A V Semana Social Brasileira, em andamento, aprofunda e questiona: “Estado, para que e para quem?”
 
 
 
 
É isso mesmo, é urgente uma reforma profunda, estrutural. A começar da concepção de “poder”, das estruturas tão onerosas e pouco eficientes da “máquina” pública dos chamados Três Poderes e da representatividade, incluindo o processo eleitoral. Exorto os leitores a participarem da Semana Social e contribuirem para uma autêntica reforma do Estado Brasileiro.
 
 
 
 
A atual estrutura de Estado e da própria democracia encontra-se em crise, ou seja, suas estruturas já não conseguem responder aos questionamentos, demandas e ânsias da população. Pode-se dizer que boa parte dessa “culpa” deve-se aos escândalos que recorrentemente assolam o campo político. Como fazer para levar a um reencantamento com a política? De que forma a Doutrina Social da Igreja pode iluminar o agir cristão para se chegar a esse intento?
 
 
Neste campo, temos que reconhecer que nós cristãos estamos devendo e muito para a nação brasileira. O campo político está apodrecido devido à ausência do “sal, luz e fermento” que nós cristãos devíamos ser. O Documento 50 da CNBB – Ética, Pessoa e Sociedade – constata : ” Se existe, hoje, um descrédito da atividade política e da administração pública em todos os níveis (federal, estadual e municipal), é que há maus políticos. Eles são os maiores responsáveis pelas imoralidades que acabam por desmoralizar a política. Importa, pois, encorajar os políticos bem intencionados para que atuem como fermento de uma “nova prática política” (50, 137).
 
 
 
 
Para que haja um reencantamento com a política, e é o que já está acontecendo em alguns lugares, é preciso trabalhar a concepção de “política”, sua relação a partir do compromisso da fé, sempre em comunidade e na prática cotidiana. A Doutrina Social da Igreja, que “é o ensinamento do Magistério em matéria social e contém princípios, critérios e orientações para a atuação do cristão na tarefa de transformar o mundo segundo o projeto de Deus” (Santo Domingo 158),  nos ensina, prepara e incentiva para, em comunidade, atuarmos concretamente.
 
 
 
 
Quais seriam os principais critérios para que um político cristão possa ter uma atuação fundamentada nos valores evangélicos?
 
 
Participar de uma Comunidade, ter um grupo de reflexão e ação, aprofundar a Doutrina Social, conhecer e aplicar os Documentos da Igreja, tudo, é claro, a partir da mística e da vivência do Evangelho. Ter um Conselho Político que não só o acompanhe, mas participe das decisões e encaminhamentos é , também, fundamental.
 
 
 
 
Confira a entrevista completa no site do Conselho Nacional do Laicato no Brasil.