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Governo derruba mais uma vez divulgação da Lista Suja do Trabalho Escravo


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No governo do presidente Michel Temer (PMDB), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sustenta a visão de que “as atuais regras que determinam a inclusão de nomes na lista não garantem o direito ao contraditório e a ampla defesa dos acusados de crime, o que daria margem para novas contestações judiciais”. Esse argumento é contestado pelo Ministério Público do Trabalho e o caso foi parar nos tribunais. No dia 8 o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho, decidiu que o governo federal tinha razão e derrubou a terceira sentença judicial consecutiva que determinava o fim do sigilo do cadastro oficial. Na última terça-feira (14), entretanto, uma nova decisão do TST, dessa vez do ministro Alberto Luiz Bresciani, tornou a exigir a publicação imediata da lista, ao considerar que o Governo Federal não poderia ter enviado o processo ao TST sem antes esgotar os recursos no TRT. Enquanto o assunto se arrasta na justiça, a sociedade é quem paga.

Alberto Luiz Bresciani... - Veja mais em http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/03/14/tst-restabelece-liminar-que-obriga-a-publicacao-da-lista-suja/?cmpid=tw-uolnot&cmpid=copiaecola
ministro Alberto Luiz Bresciani,... - Veja mais em http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/03/14/tst-restabelece-liminar-que-obriga-a-publicacao-da-lista-suja/?cmpid=tw-uolnot&cmpid=copiaecola

"É um absurdo que o governo federal esteja gastando o dinheiro do contribuinte e recursos públicos para impedir que informações públicas não sejam divulgadas. Censurar essas informações colabora para a manutenção do trabalho escravo no Brasil e tira do mercado um importante instrumento de gerenciamento de risco", afirma Leonardo Sakamoto, diretor da Repórter Brasil, organização que atua no combate a este tipo de violação humana.

A "Lista Suja" do trabalho escravo é uma importante ferramenta, que garante transparência às ações de combate e permite o controle social por parte de empresas, governos e consumidores. Mais de 400 companhias de diversos setores utilizam a ferramenta para cumprir o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O material podia ser acessado por qualquer cidadão.

As empresas que assinaram o Compromisso Público da Pecuária e a Moratória da Soja, que inclui as maiores comercializadoras de soja e carne do mundo, utilizam o cadastro para aprovar compras junto aos seus fornecedores, para manter este ilícito social longe de suas cadeias produtivas. No caso da pecuária, a ausência do documento é especialmente preocupante. Segundo a última lista oficial, de 2014, a atividade pecuária era exercida por 40% dos empresários flagrados utilizando mão de obra análoga à escrava.

Vale lembrar que tramita no Congresso o Projeto de Lei do Senado n° 423, de 2013, que tenta afrouxar as definições de trabalho escravo. Agora, o MTE criou um grupo de trabalho para discutir os ‘novos’ critérios e o funcionamento da lista, incluindo sua divulgação, num prazo de 120 dias - principal argumento para adiar, mais uma vez, a publicação da lista.

A transparência é fundamental para garantir o controle social. Omitir informações relevantes da sociedade ou descaracterizar a definição do problema não faz com que o problema acabe; pelo contrário: apenas fortalece um sistema que ignora os direitos da população. Pior, quando o Estado brasileiro se omite da responsabilidade de mediar a relação entre capital e trabalho, ele deixa de proteger a parte mais fragilizada neste momento de crise - nesse caso, os trabalhadores. Direitos devem ser observados e ampliados; jamais reduzidos ou ignorados em nome de qualquer interesse político ou econômico.